domingo, 5 de abril de 2009

História da Educação - Período Grego

Alfabeto Grego:


É o berço da civilização, tendo como seus principais representantes:
Sócrates, Aristóteles e Platão;
Tem como princípio o desenvolvimento individual do ser humano;
Preparação para o desenvolvimento intelectual da personalidade e a cidadania;
Ideais pautados na liberdade política e moral e no desenvolvimento intelectual.

Neste período as crianças viviam a primeira infância em família, assistidas pelas mulheres e submetidas à autoridade do pai, que poderia reconhecê-las ou abandoná-las, que escolhia seu papel social e era seu tutor legal. A infância não era valorizada em toda a cultura antiga: era uma idade de passagem, ameaçada por doenças, incerta nos seus sucessos; sobre ela, portanto, se fazia um mínimo investimento afetivo.

A criança crescia em casa, controlada pelo “medo do pai”, atemorizada por figuras míticas semelhantes às bruxas, gratificada com brinquedos (bonecas) e entretida com jogos (bolas, aros, armas rudimentares), mas sempre era colocada à margem da vida social. Ou então, era submetida à violência, a estupro, a trabalho, até a sacrifícios rituais.

O menino – em toda a Antigüidade e na Grécia também – era um “marginal” e como tal era violentado e explorado sob vários aspectos, mesmo se gradualmente – a partir dos sete anos, em geral – era inserido em instituições públicas e sociais que lhe concediam uma identidade e lhe indicavam uma função.

A menina não recebia qualquer educação formal, mas aprendia os ofícios domésticos e os trabalhos manuais com a mãe.

A educação grega era centrada na formação integral do indivíduo. Quando não existia a escrita, a educação era ministrada pela própria família, conforme a tradição religiosa. A transmissão da cultura grega se dava também, através das inúmeras atividades coletivas (festivais, banquetes, reuniões). A escola ainda permanecia elitizada, atendendo aos jovens de famílias tradicionais da antiga nobreza ou dos comerciantes enriquecidos.

O ensino das letras e dos cálculos demorou um pouco mais para se difundir, já que nas escolas a formação era mais esportiva que intelectual.

Esparta e Atenas: dois modelos educativos

Esparta e Atenas deram vida a dois ideais de educação: um baseado no conformismo e no estatismo, outro na concepção, outro na concepção de Paidéia, de formação humana livre e nutrida de experiências diversas, sociais, alimentaram durante séculos o debate pedagógico, sublinhando a riqueza e fecundidade ora de um, ora de outro modelo.

Foi o mítico Licurgo quem ditou as regras políticas de Esparta e delineou seu sistema educativo, conforme o testemunho de Plutarco. As crianças do sexo masculino, a partir dos sete anos, eram retiradas da família e inseridas em escolas-ginásios onde recebiam, até os 16 anos, uma formação de tipo militar, que devia favorecer a aquisição da força e da coragem. O cidadão-guerreiro é formado pelo adestramento no uso das armas, reunido em equipes sob o controle de jovens guerreiros e, depois, de um superintendente geral (paidonomos). Levava-se uma vida comum, favoreciam-se os vínculos de amizade, valorizava-se em particular a obediência. Quanto à cultura – ler, escrever -, pouco espaço era dado a ela na formação do espartano – “o estritamente necessário”, diz Plutarco -, embora fizessem aprender de memória Homero e Hesíodo ou o poeta Tirteo.

Já em Atenas, após a adoção do alfabeto iônico, totalmente fonético, que se tornou comum a toda Grécia, teve um esplêndido florescimento em todos os campos: da poesia ao teatro, da história à filosofia.

No século V, Atenas exercia um influxo sobre toda a Grécia: tinha necessidade de uma burocracia culta, que conhecesse a escrita. Esta se difundiu a todo o povo e os cidadãos livres adquiriram o hábito de dedicar-se à oratória, à filosofia, à literatura, desprezando o trabalho manual e comercial.

Todo o povo escrevia como atesta a prática do ostracismo. Afirmou-se um ideal de formação mais culto e civil, ligado à eloqüência e à beleza, desinteressado e universal, capaz de atingir os aspectos mais próprios e profundos da humanidade de cada indivíduo e destinado a educar justamente este aspecto de humanidade, que em particular a filosofia e as letras conseguem nele fazer emergir e amadurecer.

Assim, a educação assumia em Atenas um papel-chave e complexo, tornava-se matéria de debate, tendia a universalizar-se, superando os limites da polis. Numa primeira etapa, a educação era dada aos rapazes que freqüentavam a escola e a palestra, onde eram instruídos através da leitura, da escrita, da música e da educação física, sob a direção de três instrutores: o grammatistes (mestre), o kitharistes (professor de música), o paidotribes (professor de gramática).

O rapaz era depois acompanhado por um escravo que o controlava e guiava: o paidagogos. Depois de aprender o alfabeto e a escrita, usando tabuinhas de madeira cobertas de cera, liam-se versos ricos de ensinamentos, narrativas, discursos, elogios de homens famosos, depois os poetas líricos”que eram cantados.

O cuidado com o corpo era muito valorizado, para torná-lo sadio, forte e belo, realizado no gymnasia. Aos 18 anos, o jovem era “efebo” *no auge da adolescência), inscrevia-se no próprio demo (ou circunscrição), com uma cerimônia entrava na vida de cidadão e depois prestava serviço militar por dois anos.

A particularidade da educação ateniense é indicada pela idéia harmônica de formação que inspira ao processo educativo e o lugar que nela ocupa a cultura literária e musical, desprovida de valor prático, mas de grande importância espiritual, ligada ao crescimento da personalidade e humanidade do jovem.

Paidéia: o seu nascimento

A partir do século V a. C., exige-se algo mais da educação. Para além de formar o homem, a educação deve ainda formar o cidadão. A antiga educação, baseada na ginástica, na música e na gramática deixa de ser suficiente.

Surge então o modelo ideal de educação grega, que aparece como Paidéia*, que tem como objetivo geral construir o homem como homem e cidadão. Platão define Paidéia da seguinte maneira “(...) a essência de toda a verdadeira educação ou Paidéia é a que dá ao homem o desejo e a ânsia de se tornar um cidadão perfeito e o ensina a mandar e a obedecer, tendo a justiça como fundamento”.

A noção de Paidéia se afirma de modo orgânico e independente na época dos sofistas e de Sócrates e assinala a passagem explícita – da educação para a Pedagogia, de uma dimensão teórica, que se delineia segundo as características universais e necessárias da filosofia. Nasce a Pedagogia como saber autônomo, sistemático, rigoroso; nasce o pensamento da educação como episteme*, e não mais como éthos* e como práxis* apenas.

*Paidéia: nas suas origens e na sua acepção comum, indica o tipo de formação da criança (pais), mais idôneo a fazê-lo crescer e tornar-se homem, assume pouco a pouco nos filósofos o significado de formação, de perfeição espiritual, ou seja, de formação do homem no seu mais alto valor. Portanto, podemos dizer que a Paidéia, entendida ao modo grego, é a formação da perfeição humana.

* Episteme: conhecimento verdadeiro, de natureza científica, em oposição à opinião infundada ou irrefletida.

*Éthos: conjunto dos costumes e hábitos fundamentais, no âmbito do comportamento e da cultura, característicos de uma determinada época ou região.

* Práxis: prática.

Helenismo e a Educação

Trata-se de uma época que se delineia uma cultura cada vez mais científica, mais especializada, mais articulada em formas diferenciadas entre si tanto pelos objetos quanto pelos métodos: é a época em que se desenvolve a ciência física em formas quase experimentais, em que apresentam a filosofia e a historiografia em formas amadurecidas, em que cresce a astronomia tanto quanto a geometria e a matemática, como também a botânica, a zoologia, a gramática, dando vida a uma enciclopédia bastante complexa do saber.

Nesta época desenvolvem-se alguns centros de cultura: Rodes, Pérgamo, Alexandria; Alexandria em particular – fundada por Alexandre Magno em 932 a. C. no Egito - , com a biblioteca e o museu, afirma-se como o centro de toda cultura helenística, literária, filosófica e científica.

A Paidéia no período helenístico pode ser compreendida como uma orientação de vida, ou seja, apresentava-se como um conjunto de orientações seguras, que indicavam o caminho da felicidade. Os “novos” educadores, além de ensinar o homem a especular em torna da verdade, buscavam enfatizar que era preciso aprender a viver de forma virtuosa. A vivência das virtudes era a garantia de uma vida feliz, por isso, a transmissão e a prática dos valores tornou-se o conteúdo primordial das escolas nesse período.

História da Educação - Período Oriental


História da Educação - Período Oriental
O surgimento da escrita;
Transição da sociedade primitiva para a civilização;
Surgimento da cidade e do estado;
Mantinha a cultura dominante através da educação.
CHINA
Nas civilizações orientais a educação era tradicional: dividida em classes, opondo cultura e trabalho, organizada em escolas fechadas e separadas para a classe dirigente. O conhecimento da escrita era restrito a devido ao seu caráter esotérico As preocupações com educação apareceram nos livros sagrados, que ofereceram regras ideais de conduta e enquadramento das pessoas nos rígidos sistemas religiosos. Nesse período surgiu o dualismo escolar, que destina um tipo de ensino para o povo e outro para os filhos dos funcionários, ou seja, grande parte da comunidade foi excluída da escola e restringida à educação familiar informal.

História da Educação - Período Primitivo



*Não existia educação na forma de escolas;
*Objetivo era ajustar a criança ao seu ambiente físico e social, através da aquisição das experiências;
*Chefes de família eram os primeiros professores e em seguida os sacerdotes.


A evolução do hominídeo para o homem apresenta as seguintes fases:

Australopithecus (de 5 milhões a 1 milhão de anos atrás), caçador, que lasca a pedra, constrói abrigos;
Pitecanthropus (de 2 milhões a 200 mil anos atrás), com um cérebro pouco desenvolvido, que vive da colheita e da caça, se alimenta de modo misto, pule a pedra nas duas faces, é um pronto-artesão e conhece o fogo, mas vive imerso numa condição de fragilidade e de medo;
Homem de Neanderthal (de 200 mil a 40 mil anos atrás), que aperfeiçoa as armas e desenvolve um culto dos mortos, criando até um gosto estético (visível nas pinturas), que deve transmitir o seu ainda simples saber técnico;
Homo sapiens, que já tem características atuais: possui a linguagem, elabora múltiplas técnicas, educa os seus “filhotes”, vive da caça, é nômade, é “artista” (arte naturalista e animalista), está impregnado de cultura mágica, dotado de cultos e crenças, e vive dentro da “mentalidade primitiva” marcada pela participação mística dos seres e pelo raciocínio concreto, ligado a conceitos-imagens e pré-lógico, intuitivo e não-argumentativo.

A educação dos jovens, nesta fase, torna-se o instrumento central para a sobrevivência do grupo e a atividade fundamental para realizar a transmissão e o desenvolvimento da cultura.

No filhote dos animais superiores já existe uma disposição para acolher esta transmissão, fixada biologicamente e marcada pelo jogo-imitação. Todos os filhotes brincam com os adultos e nessa relação se realiza um adestramento, se aprendem técnicas de defesa e de ataque, de controle do território, de ritualização dos instintos.

Isso ocorre – e num nível enormemente mais complexo

– também com o homem primitivo, que através da imitação, ensina ou aprende o uso das armas, a caça e a colheita, o uso da linguagem, o culto dos mortos, as técnicas de transformação e domínio do meio ambiente.

Depois desta fase, entra-se (cerca de 8 ou 10 mil anos atrás) na época do Neolítico, na qual se assiste a uma verdadeira e própria revolução cultural. Nascem, as primeiras civilizações agrícolas: os grupos humanos se tornam sedentários, cultivam os campos e criam animais, aperfeiçoam e enriquecem as técnicas (para fabricar vasos, para tecer, para arar), cria-se uma divisão do trabalho cada vez mais nítida entre homem e mulher e um domínio sobre a mulher por parte do homem, depois de uma fase que exalta a feminilidade no culto da Grande Mãe (findo com o advento do treinamento, visto como “conquista masculina”).

A revolução neolítica é também uma revolução educativa: fixa uma divisão educativa paralela à divisão do trabalho (entre homem e mulher, entre especialistas do sagrado e da defesa e grupos de produtores); fixa o papel - chave da família na reprodução das infra-estruturas culturais: papel sexual, papéis sociais, competências elementares, introjeção da autoridade; produz o incremento dos locais de aprendizagem e de adestramento específicos (nas diversas oficinas artesanais ou algo semelhante; nos campos; no adestramento; nos rituais; na arte) que, embora ocorram sempre por imitação e segundo processos de participação ativa no exercício de uma atividade, tendem depois a especializar-se, dando vida a momentos ou locais cada vez mais específicos para a aprendizagem.

Depois, são a linguagem e as técnicas (linguagem mágica e técnicas pragmáticas) que regulam – de maneira cada vez mais separada – os modelos de educação.

RESENHA BIBLIOGRÁFICA COMENTADA DO ÓCIO CRIATIVO


RESENHA BIBLIOGRÁFICA COMENTADADO LIVRO
ÓCIO CRIATIVO (*)
DE
DOMENICO DE MASI
POR:
ANTONIO DA COSTA NETO (**)
O trabalho poderá tornar-se uma fonte de felicidades, como já o é para muitos empresários e altos executivos, se as empresas transformarem a competitividade em competência e a destrutividade em relações solidárias. Se elas forem mais cuidadosas com a estética de seus ambientes e objetos de trabalho. Se adotarem boas maneiras nas relações interpessoais e introduzirem um pouco da alma feminina em seus castelos embarricados pelos homens. Se abrirem uma brecha nos seus muros de proteção permitindo a entrada de um pouco de ar puro. Aí sim, o trabalho, junto ao calor do convívio cordial se tornará uma oportunidade para a socialização, o prazer e a melhoria contínua da qualidade da vida.Igualmente, para que a empresa tenha este carisma será sempre necessária a presença de chefes que incutam o entusiasmo, liberem os grupos dos procedimentos inúteis, gratifiquem os criativos, olhem para o futuro, promovam a inovação e tenham coragem de enfrentar o desconhecido.Para tanto, as condições ideais ainda são aquelas descritas por Platão em O banquete: comodidade, um grupo de amigos criativos, paixão pela beleza e pela verdade, liberdade carismática, tempo à disposição sem a angústia de prazos e vencimentos improrrogáveis. Felicidade, afinal, consiste também no fato de não ter prazos a cumprir.Precisamos, portanto, educar as pessoas para o ócio, enriquecendo as coisas de significado, preparando-as para gozarem a vida e não, apenas, para exercerem profissões. Enfim, para descobrirem que o paraíso existe e que é aqui na terra. Mas o inferno também existe e consiste em não se dar conta de que vivemos num paraíso.”

(Domenico De Masi)
I – O AUTOR E A OBRA
Domenico De Masi, sociólogo italiano que expôs neste livro suas idéias sobre a sociedade e o trabalho, sempre atento aos conceitos de uma visão de futuro. Responde a perguntas feitas por Maria Serena Palieri sobre a sociedade pós-industrial, desenvolvimento sem emprego, globalização, sociedade e tempo livre, compondo assim um ‘livro-entrevista’ denso, caprichoso e instigante.
O autor é um insatisfeito com o modelo social centrado da idolatria do trabalho e propõe um novo paradigma baseado na simultaneidade entre trabalho, estudo, jogo e lazer, no qual os indivíduos são educados para privilegiar a satisfação de necessidades radicais, como a introspecção, a amizade, o amor, as atividades lúdicas, a ecologia, a paz, a convivência pacífica, o que, inteligentemente chama de ócio criativo.
Alerta ainda que o ócio pode transformar-se em violência, neurose vício e preguiça. Mas pode também elevar-se a arte, criatividade, liberdade e bem-estar. Lembra-nos que é no tempo livre que devemos passar a maior parte de nossos dias e neles concentrar nossas melhores potencialidades.
Elabora temas sobre a feminilização, o declínio das ideologias tradicionais e dos sujeitos sociais emergentes. Domenico De Masi critica o modelo social do ocidente; sobretudo, dos Estados Unidos, advogando as seguintes premissas: crescimento do tempo livre e decrescimento do trabalho, distribuição equânime da riqueza produzida, do saber, do poder e a educação para melhorar a vida como um todo e não, apenas, o trabalho e a produção.
II – SINOPSE DA OBRA
Comecemos a falar do período da história de 70 milhões de anos atrás, quando se tem notícia dos primeiros sinais de vida na terra. Passemos depois para 700 mil anos passados, quando o homem aprendeu a se criar, a andar ereto, a cuidar da prole. Mais tarde, a descoberta do cérebro com seus 100 bilhões de neurônios, dos quais mais de l5 bilhões constituem o córtex cerebral, responsável pela racionalização, o pensamento lógico, que passou a ser, ao longo da própria história, o mais desenvolvido e valorizado. Assim, o ser humano deixou de se importar com a estética, a beleza, o bem-estar, sendo apenas a lógica necessária à vida. Também por isso, a maioria dos ambientes de trabalho ainda é horrível, com cores neutras, móveis e decoração do tipo hospitalar, nenhuma preocupação com o bom gosto, a estética.
Depois do autodesenvolvimento humano veio a descoberta da semente, novas formas de crescimento, a necessidade de aprender, o advento do papel da mulher. Mas, aprendizagem, até então, significava colonizar o cérebro com o objetivo de moldá-lo de acordo com os interesses do grupo de referência. Filosofia era, segundo Francis Bacon um amontoado de tagarelices de velhos estonteados para jovens desocupados. Vindo a ocorrer, mais tarde, um salto de época, ou mudança de paradigma, resgatando novos valores para a ciência, a cultura, o aprendizado. Gerando novas epistemologias e novas formas de ver o mundo e os seus processos.
Ultrapassando a importância do puro e simples trabalho manual – uma coisa feita para macacos – bastando observá-lo por alguns minutos para aprender a fazê-lo e repeti-lo para sempre.
Mudança de paradigma apenas acontece quando coincidem: novas fontes energéticas e novas divisões do trabalho e do poder.
A mudança de um ou de alguns destes aspectos é apenas inovação. Mudança só acontece quando todos mudam em ondas (ou períodos) curtas, médias, breves ou longas.
Vem depois o direito de propriedade, diferenciando substancialmente o homem dos outros animais e o trabalho é sistematizado, segundo Marx, para produzir coisas espirituais para os ricos e idiotices e imbecilidades para o trabalhador; culminando com a Encíclica Papal de João Paulo II, de que a caridade deve ser exercida pelos ricos, e, a paciência, pelos pobres.
Certos trabalhos, como os domésticos, se adequam à natureza das mulheres, criando-se assim, uma massa – uma mediocridade coletiva – que de acordo com Stuart Mill, que vem culminar com a televisão como instrumento de dominação consensual, inclusive para facilitar a burocracia e dificultar a criatividade, intervindo na natureza humana para melhor dominá-la.
A passagem de uma economia de produção para uma economia de serviços faz com que paulatinamente os ricos se tornem menos e muito mais ricos e os pobres aumentem em número e em pobreza. O que muito influiu os partidos de esquerda que, difundiram que quanto mais fracos são os paises capitalistas, mais chances têm de chegarem ao poder; ou conquistando votos, ou estabelecendo alianças com forças da direita, pagando este apoio com uma política conservadora.
Chegamos a ponto de que o único emprego remunerado disponível é do intelectual criativo. Aquele que não estiver preparado para isto, terá como futuro o desemprego. O trabalho de produção decresce numa dimensão geométrica, enquanto o criativo cresce numa proporção apenas aritmética e os operários braçais deixarão de ser uma força revolucionária. Tudo hoje é tecnologia. Até um frango tem mais tecnologia do que carne. Enquanto isto, muitos economistas – conselheiros do príncipe – fazem tudo para ocultarem esta dura realidade.
Deveria ser melhor divulgado o número de empregos que são suprimidos e, não só, os que são criados. O futuro pertence aos que sabem usar mais a cabeça e menos as mãos. A pesquisa, a psicologia, o marketing, a arte, a educação, estas são as funções do futuro e não mais a guerra, o petróleo, a fabricação de parafusos e geladeiras. Milhões de homens ainda conseguem os meios de sobrevivência estritamente necessários somente por meio de um trabalho cansativo e fisicamente desgastante, moral e espiritualmente deturpador e são obrigados a considerar uma sorte, a desgraça de terem achado o tal trabalho.
O atual modelo capitalista reflete paradoxos que são desonestamente ocultos por cientistas e sociólogos europeus e americanos. Como, por exemplo, a poderosa importância da tecnologia que não pode mais ser dirigida por indivíduos isolados.Precisamos absorver os princípios fundamentais da sociedade pós-industrial: a) passagem da produção de bens para a produção de serviços; b) importância dos profissionais liberais e dos técnicos em relação aos operários; c) a importância do saber tecnológico como um primado das idéias; d) gestão integrada do desenvolvimento técnico; e) criação de uma tecnologia intelectual: máquinas inteligentes e capazes de substituir o esforço racional humano.
Portanto, é a subjetividade que orientará a vida e o trabalho daqui para frente, como podemos refletir a partir do poema de Carlos Fuentes quando nos indaga: “Viemos aqui para chorar. Estamos por morrer ou por nascer?”
Como a geração dos revolucionários do passado, somos nós aqui a termos a responsabilidade de mudança. E devemos começar por nós mesmos aprendendo a não rejeitar antecipadamente o novo, o surpreendente, aquilo que parece ser radical. O que significa afastar os destruidores de idéias, que, apressadamente, reprovam qualquer proposta nova como irracional. Eles defendem tudo aquilo que já existe como racional, independente do quanto possa ser absurdo ou superado.
Isto significa lutar pela liderança de expressão, pelo direito de manifestar as próprias idéias e reinvindicar este processo de reconstrução antes que o totalitarismo retorne às praças, tornando impossível uma transição pacífica rumo à democracia do Séc. XXI.
Vamos ter de inventar algo novo, além da matéria similar, dos motores e da inteligência artificial; dos recursos materiais como o barro, o ferro, a fabricação de materiais; incluindo aí a subjetividade que é a satisfação de desejos de indivíduo para indivíduo e daí para os nichos de mercados.
O homem sempre oscilou entre dois desejos: o de distinguir e o de homogeneizar num processo de dois séculos de homogeneização absolutamente imposto pela indústria. Hoje, a tecnologia nos permite diferenciar, e é o que estamos fazendo. Evoluímos da homogeneização para a diferenciação, o que nos referenda Toffler, quando nos fala da desmassificação da mídia, criando ambientes inteligentes armazenados pelo computador; trabalhando em casa, estabelecendo relações virtuais com amigos e parentes; conjugando o pequeno, o grande, o individual e o coletivo.
O artesanato era pequeno e bonito, depois veio a indústria grande e feia.
Atualmente, conseguimos de forma distinta as duas dimensões, fazemos compras nos supermercados e encomendamos um móvel sob medida a um carpinteiro.
As coisas mudam, confluem-se; o presente é o porvir, o coração da sociedade é a informação, o tempo livre e a criatividade científica jamais deram tanta importância à estética, fazendo o que é belo possuir sentido. A burocracia, uma doença endêmica, está dando lugar à saúde criativa, exigindo que não só nos oponhamos ao projeto do outro, mas, para sobreviver, teremos de ter um projeto próprio.
A fabricação achata a diversidade. Os poucos milhardários do mundo são mais ricos do que a metade da população planetária como um todo, o que, mais que um absurdo é um crime.
As várias formas de co-globalização estão presentes e potencializam seus efeitos nefastos reciprocamente, são eles:
a) conhecer e mapear o planeta;
b) escambo – troca de mercadorias;
c) colonização material dos povos limítrofes;
d) invasão dos mercados com as próprias idéias e moedas;
e) globalização psicológica, sem dúvida, o efeito mais forte.
Vivemos em uma cidade e trabalhamos em outra, tiramos férias em uma terceira; tudo mescla certa fragilidade impotente gerando uma competição cada vez mais opressiva entre concorrentes mais numerosos e mais aflitos com o perigo de perder o que está em jogo.
A globalização aumenta os níveis de competitividade, provocando oscilação entre a euforia e o temor. Achatando cada vez mais a diversidade, num astuto plano de exploração e selvageria.
Ao contrário, a civilização nasce do tempo livre, do jogo, do sexo, do prazer. É, portanto, impossível só trabalhar quando trabalhamos e só jogar quando jogamos, não misturando estas coisas e tendo como único objetivo desempenhar um trabalho e ser pago por ele. E só quando o trabalho estiver pronto que começamos o jogo, mas nunca antes, de conformidade com Henry Ford.
Foi a indústria que separou o lar do trabalho, a vida das mulheres da vida dos homens, o cansaço da diversão e o trabalho assumiu uma importância desproporcionada, tornando-se a categoria dominante na vida humana em relação a qualquer outra coisa. “É melhor que a vida e o trabalho se separem... eles têm lógicas e culturas diversas e a riqueza da existência está em combinar os tempos e os âmbitos de cada um. Segundo Aris Acornero, a justaposição de ambos é um mito a ser esconjurado.”
Meu parecer é justamente o oposto. Quanto mais a natureza do trabalho se limita a mera execução e implica em puro esforço físico, mais ele se priva da dimensão cognoscitiva, da dimensão lúdica e da dimensão da flexibilidade. A plenitude da atividade humana apenas é alcançada quando se acumulam o estudo, o trabalho e o jogo. Aquele que é mestre na arte de viver faz pouca distinção entre o seu trabalho e o seu tempo livre, entre a sua mente e o seu corpo, entre a sua educação e a sua recreação. Distingue uma coisa da outra com dificuldade. Almeja a excelência em qualquer coisa que faça, deixando aos demais a tarefa de decidir se está trabalhando ou se divertindo. Ele acredita que está sempre fazendo as duas coisas ao mesmo tempo.
A intelectualidade prescinde à habilidade manual, devemos usar mais a cabeça do que a força física e entre as habilidades intelectuais a mais apreciada é a criatividade e o aspecto técnico prescinde do estético. É a estética que conduz à subjetividade. É preciso melhorar o produto e o processo da sua confecção, assim teremos mais objetos e mais tempo livre para usufruir deles. Minimalismo do consumo; já temos muitos livros e muitos discos, é chegado o momento de desfrutá-los. Outros valores emergentes são a emotividade e a feminilidade. Devemos valorizar sem temor a esfera afetiva. A racionalidade permite-nos executar bem as nossas tarefas, mas sem a emotividade não é possível criar nada de novo.
É chegado o fim do ‘homossexualismo masculino’ intelectual ou separatismo machista das dimensões intelectuais entre os homens. Já faz parte do passado as mulheres, quase sempre semi-analfabetas, que ficavam confinadas em casa, em convívio com as escravas e entregues aos serviços domésticos, grosseiros, humilhantes e quase pueris. O que se referia à beleza, à solidariedade, à natureza, à emotividade era relegado a um segundo plano e delegado à mulher, ao lado da criação dos filhos e do ensino. E muitas delas ainda conduzem o machismo que, como a hemofilia, quem padece da doença são os homens, mas quem transmite são as mulheres, o que advem deste modelo machista de se viver. Partimos agora para uma sociedade andrógina, sem papéis hierárquicos rígidos para homens e mulheres. Hoje são as máquinas que realizam as funções cansativas e repetitivas, deixando para os humanos de todos os gêneros, e, sem distinção, as atividades flexíveis, intuitivas e estéticas. A sociedade deve facilitar a riqueza da pluralidade, com poder de decisão tanto de mulheres quanto de homens. Os homens estão perdendo a hegemonia e adotam medidas femininas: cuidando do corpo, usando adornos e cores vistosas, demonstrando amor, afetividade, cuidando da casa e das crianças. As mulheres estão se desenvolvendo na vida pública, com mais acesso às poltronas do poder. O nascimento de um filho altera a vida dos dois: pai e mãe. E ao desejo e a busca da plenitude dá-se o nome de amor, e, não mais, de autoritarismo e competição.
Somos nômades e começou a era do horror ao domicílio fixo. Primeiro fomos nômades, depois, sedentários. O nomadismo difuso leva à elasticidade mental para lidar com novas pessoas, momentos e lugares, vendo a sociedade por ângulos diversos. Mudar de lugar estimula a criatividade, viaja-se com a mente mesmo que o corpo não se mova. Contudo, o excesso de recursos de hoje em dia, zera o número de pessoas que não se movem, para o quê, precisamos de uma maior autonomia e independência. Quem não dispõe de pelo menos dois terços do próprio dia é um escravo, não importando o que seja no resto: homem de Estado, comerciante, funcionário público ou estudioso; recobrando aqui uma citação de Nietzsche.
Necessitamos de uma redução mais que drástica dos horários de trabalho e acabar com a força supérflua, tanto dentro quanto fora da empresa. Proponho cinco ou seis horas por dia, de três a quatro dias por semana e três semanas por mês de trabalho. É errada a convicção de que quanto mais o empregado permanecer na empresa mais produzirá, pois o que se pede hoje ao trabalhador são idéias e não coisas. Quanto mais se fica na empresa, preso, como num aquário, menos se tem estímulos criativos. Esta forma torna a organização um amontoado de regulamentos inúteis à sua eficiência e danosos à sua produtividade.
A ordem é expulsar o “overtime”, sendo o tempo ideal de trabalho vinte e oito horas semanais e três semanas por mês. As pessoas devem aprender a curtir mais o tempo livre e usá-lo para si. Ficar no emprego mais tempo que o necessário só serve para inventar coisas prejudiciais e aumentar gastos e custos para as empresas que são habitudinárias como paquidermes e repetem a vida inteira as mesmas coisas sem que percebam a sua inutilidade.
Bertrand Russel, em O elogio do ócio afirma que é possível garantir para toda a humanidade um nível razoável de qualidade de vida, desenvolvendo e equilibrando a capacidade de trabalho, evitando que quem tem trabalho morra de trabalhar, enquanto o restante morre de fome, o que ele chama de “o antagonismo do absurdo” ou “o sistema do caos”. As organizações têm uma compulsão ao conservadorismo e para expulsá-la, pequenos retoques já não bastam.
Precisamos ousar mais, incluindo o teletrabalho, a semana brevíssima, melhorando a organização, as formas de trabalhar e a vida das pessoas que passarão a planejar um fim de semana com três ou quatro dias, a repensar seus relacionamentos, a cuidar melhor do jardim, da casa, das crianças e da sua própria emotividade, para assim poderem curtir melhor o tempo livre que passarão a ter, com o quê, automaticamente, melhorarão o mundo.
Vamos ter que mudar toda a existência da organização e a vida do empregado dentro e fora dela. Agora, com a Internet, tudo pode ser modificado com muito mais facilidade. Devemos evitar que o indivíduo, uma vez liberto, depois de décadas contínuas, não saiba lidar com esta nova situação, tendo dificuldades para enfrentar este impacto de liberdade. Uma pessoa que não tem tempo livre há anos precisará de uma reeducação para aprender a utilizá-lo, é lógico.
As gerações atuais são muito mais fluidas, móveis e centradas em interesses rápidos e transitórios, enquanto a ideologia social continua a mesma. Assistimos ainda a passeatas de trabalhadores, de massas oprimidas, mas não de homens e mulheres bem de vida. Há poucos ricos e infinitos pobres. A dita classe média vem se desfavorecendo assustadoramente desde o final do Séc. XIX. Mas, por feliz sorte, o poder está saindo paulatinamente das mãos dos que possuem para as mãos dos que sabem.
Porém dos que sabem o quê? E como utilizam este saber, o que na verdade, constitui um outro sério problema: a questão da ideologia do saber, este vírus terrível que invade e consome as escolas, as universidades. Ninguém é mais explorador ou explorado apenas, mas, ambas as coisas ao mesmo tempo e a grande divisão entre ricos e pobres durou até os anos 60 e a educação formal das pessoas deveria deixar isto às claras. Hoje a forma mais adequada de se garantir a produtividade na empresa é, justamente, melhorar a qualidade de vida dentro e fora dela. É preciso deslocar o trabalho para onde estão os trabalhadores e sermos nômades em busca do lazer, do estudo e da cultura.
A maior exploração é se apropriar da criatividade dos outros e as empresas fazem isto naturalmente, mantendo as pessoas em um baixo nível de idéias, utilizando apenas as suas capacidades executivas, fazendo-as perder a habilidade de inventar, transformando-as em robôs, em peões digitais, num autêntico neo-fordismo, mantendo, com isto, um imenso desperdício de inteligência.
Quanto mais propicia a organização o desenvolvimento da criatividade, mais eficiente ela é. E não, porque sabe explorar mais seus funcionários. O que mede o desenvolvimento organizacional é o grau de criatividade e não, a capacidade de usar e explorar as pessoas, o que não passa de um nazismo camuflado.
Numa organização criativa os dias livres deveriam ser móveis, compartilhados socialmente, dedicados ao desenvolvimento e ao lazer das pessoas, ás suas famílias, amigos e à coletividade, o que deveria ser feito paulatina e equilibradamente.Eliminar o domingo de forma brusca e repentina seria devassar a economia dos estádios e das paróquias, mas é preciso que comecemos a aprender a descansar a qualquer hora do dia e dia da semana, atendendo aos pedidos de cada organismo.
Aí, faremos nós mesmos as nossas próprias instalações elétricas, prepararemos, com prazer o nosso pão em casa, cuidaremos das crianças, dos animais e dos parentes idosos. O trabalho doméstico será mais bem distribuído entre os sexos. Os homens poderão se dedicar mais ao afeto e à paternidade, desobrigando a mulher de se responsabilizar sozinha pelo mundo familiar, diminuindo a distância entre os trabalhos intelectual e manual e a masculinização da tecnologia. As atividades, inclusive as intelectuais e de execução serão mais delegadas às máquinas, cabendo aos seres humanos a escolarização, o lazer, os trabalhos flexíveis, criativos e agradáveis.
O teletrabalho passa a criar uma maior unidade espaço/tempo entre as pessoas, substituindo o conflito por movimentos difusos, unificando interesses e criando alianças para o futuro.
As interações serão muito mais do que físicas, sendo preciso e possível lidar com a inovação sem fazer mais vitimas. Sem impedir o progresso, mas geri-lo de forma a criar uma felicidade mais coletiva e mais definida, adquirindo uma nova noção de tempo, uma nova noção de espaço. Nosso futuro será projetado por um certo, um outro “Bill Gattes”.
Aqueles que assimilam rapidamente as novas categorias se projetam para o futuro. O restante forma o grande exército de perdedores. No mundo de hoje, a velocidade impera, quem é lento fica à mercê. Quem é rápido, decide. O mundo exclui quem não é rápido. Privilegia-se a produção de idéias, exige-se corpo quieto e mente inquieta, o que eu chamo de “ócio criativo”: ter mais tempo para “bolar”, para “idear”.
O mundo atual é uma fábula onde a rapidez comanda e no lugar das fadas estão os engenheiros, dos feitiços, estão as fórmulas químicas e as quotações da Bolsa; no lugar dos duendes estão os bits. Nossos avós padeciam no tédio de dias sempre iguais, nós padecemos da vertigem de momentos diversos, dilatados, acelerados, excessivos, o que requer sabedoria e estilo para sincronizar-se com os ritmos frenéticos do mundo. Marcelo Marchesi explica: “... linda é a vida de hoje, vive-se mais tempo e morre-se mais vezes. Somos mordidos pelo bicho carpinteiro da velocidade urbana, consumimos o luxo de raras pausas, sonhando ou perseguindo a tranqüilidade perdida. Dentro de nós conflituam os espíritos da vertigem, da calma, o espírito nômade e o espírito sedentário. O ócio é uma arte e nem todos são artistas.”
O trabalho na era pós-industrial pode conjugar as vantagens das pequenas empresas artesanais, rapidez nos processos de decisão, flexibilidade, pouca burocracia com as vantagens da grande empresa; rapidez, intercomunicação, aprendizado. As pessoas podem ficar em casa como na oficina do artesão. Mas, ao mesmo tempo, pode se comunicar com os outros. Como na fábrica industrial, os processos mais rápidos, instantâneos, impera a simultaneidade entre fatos e fenômenos. O mundo é mágica.Reduz-se a fratura entre tempo de trabalho e tempo de vida. As empresas, hoje dependem de seus empregados inseridos na sociedade e não, separados dela. O trabalho responde a outras necessidades urbanas, como o caos do trânsito, a poluição e isto exige interdisciplinaridades e contatos simultâneos com todas as dimensões do planeta.
Tempos atrás, quando se rezava, se rezava, quando era hora de diversão, nós nos divertíamos. Agora, pelo contrário, somos propensos a integrar estes momentos: enquanto trabalhamos rimos, brincamos e fazemos observações sobre o mundo exterior.
Estamos introjetando a epistemologia da descontinuidade e da complexidade. Valorizamos a qualidade de vida e não queremos perder horas no engarrafamento nem o contato com a família. Vivemos num espaço ao mesmo tempo virtual e planetário.Amanhã, teremos mais tempo para o amor físico, para a apoteose do gosto e do afeto. O trabalho reduzirá as relações obrigatórias com os outros deixando mais tempo para o contato afetivo com os verdadeiros amigos, os eleitos por cada um de nós.
Muitos amores sinceros nascem em locais de trabalho, muitos casamentos. Mas atribuir ao trabalho o mérito principal pela socialização é, no mínimo, um exagero. A empresa ainda não é particularmente adequada para fecundar amizades. Pois não escolhemos nossos colegas de trabalho, superiores e clientes. Apenas a luta de classes é que cimenta a união entre os trabalhadores. Em muitas empresas reina o clima de indiferenças, suspeitas recíprocas e medo. Nelas, o convívio é artificial e até as festas e comemorações são frias, tristes e patéticas. As panelinhas, as falsas alianças, os bandos de puxa-sacos, são grupos minados pela desconfiança, a transitoriedade, o carreirismo.
Muitos empresários e altos executivos entendem por flexibilidade o que lhes é cômodo: poder demitir quantos e quando quiserem. Quem faz sermão aos jovens para não ambicionarem emprego fixo, geralmente o tem e faz tudo para não perdê-lo. É preciso tomar um superior cuido para não se criar um terrorismo tecnológico para possibilitar o teletrabalho.
Formas existem muitas: empresas de trabalho a distância, escritórios-satélites, centros comunitários, trabalhos a domicílio, gerando vantagens de autonomia para o trabalhador em relação aos tempos, aos métodos, redução dos custos do estresse e do cansaço. Melhoria da gestão da vida familiar e social, relações de trabalho mais personalizadas, redução das horas de prestação de serviços, flexibilização da possibilidade de se passar mais tempo em casa. E as desvantagens de isolamento, marginalização do contexto e da dinâmica da empresa, redução de chances na carreira, problemas de reestruturação do espaço em casa, dos hábitos pessoais e das relações familiares. Dificuldades para ações coletivas entre colegas e ações sindicais. Deverá ser criado o telesindicato. Os empregados se sentirão estranhos e distantes da empresa.
Outras vantagens ainda para a sociedade seriam: o trabalho definido em zonas isoladas, periféricas, com mais trabalho para as chamadas categorias excluídas. Descongestionamento de áreas superpovoadas, redução do tráfego e da poluição, melhor manutenção do meio-ambiente, das ruas e das estradas. As desvantagens sociais imediatas seriam os custos com as instalações de cabos, tarifas de comunicação, áreas de trabalho pouco protegidas, renda não declarada ao fisco e redução da dimensão coletiva do trabalho.
Como vimos as vantagens são muito maiores do que as desvantagens: persistência ao trabalho, queda da resistência às mudanças, desaparecimento da cultura do “overtime”, dos chefes que querem manter os subalternos na palma da mão. Criando a necessidade de se reorganizar o trabalho e a própria vida. Contudo, teremos muitas resistências, sendo a maior delas, sem dúvida, o masoquismo coletivo: nem sempre as pessoas querem viver melhor e ser mais felizes.
Os aristocratas distinguiam-se não pelo que faziam, mas pelo que não faziam. Quem era da nobreza não devia trabalhar é para isto que existiam os servos, os operários e os escravos. Estamos emergindo da era da atividade física para a atividade intelectual. Atividade física pura ou atividade mental pura são extremos teóricos. O homem pensa e age o tempo todo, é que nos acostumamos a ativar o corpo e esquecer a mente.
Apenas o corpo é que conta. Se uma pessoa está com febre é considerada doente. Mas se está triste ou deprimida é tida como saudável. O tratamento psicanalítico ainda é considerado um luxo, mas o da pneumonia, por exemplo, é uma necessidade. Estamos numa fase de adestramento do corpo em muitas frentes, cuja desmaterialização começa com a invenção da escrita e se acelera pelo Séc. XX com o rádio, o cinema, a tv, dando um grande salto, quase um vôo com a internet.
Hoje em dia, a luta da mente prevalece à do corpo. Só nos lembramos dele quando nos faz sofrer ou rejeitá-lo. É quando corremos para as dietas, a ginástica, os tratamentos físicos, etc.
Sempre consideramos o trabalho uma atividade física cansativa e que desejávamos que acabasse o quanto antes. Só estamos motivados quando desejamos que alguma coisa continue, se prolongue. Ninguém nunca diz antes de começar um trabalho físico: “que ótimo, posso começar a trabalhar”, enquanto o trabalho criativo suscita o desejo de iniciá-lo.
O trabalho físico, para sobreviver, é sempre realizado sob a vigilância do patrão, enquanto a criatividade só exige dedicação e amor. A pessoa deverá se sentir atraída para o trabalho e só então ele será realizado pelo puro prazer. Nossa tendência natural é a de eliminar o dever físico e ampliar o prazer criativo. O trabalho poderá ser um prazer se for predominantemente intelectual, inteligente e livre.
Deve provocar cansaço, e, ao mesmo tempo, euforia. Quando é só físico, o trabalho trás o cansaço, a prostração, a vontade de parar. Quando é intelectual e criativo, o cansaço pode até não ser percebido: quem compõe música, escreve poesia ou pinta um quadro, pode até cair de cataplexia. Um poeta escreve versos até adormecer. No trabalho intelectual a motivação é tudo, ele pode nos agradar a tal ponto, que não nos damos conta de que nos cansamos. Até mesmo o esgotamento psíquico não permite um desligamento instantâneo, como acontece com o físico, o que acelera enormemente a dimensão do problema.
Se estou em busca de uma idéia, minha mente pode trabalhar por noites a fio sem parar nunca. Mas a organização do trabalho intelectual ainda é pouco difundida, conhecida ou estudada, enquanto sobre o trabalho físico existem bibliotecas inteiras, estudos, laboratórios, pesquisas.
Um sujeito pode passar horas em uma rede e estar trabalhando só com a cabeça. A rede é a antítese da linha de montagem, mas o grande problema é que ela nos foi proibida por muitos anos, criando outros arquétipos mentais. Assim como os peixinhos vermelhos quando saem do aquário continuam, em pleno mar, nadando em círculos por vários dias. Os seres humanos trabalham fechados dentro das empresas há mais de duzentos anos e não saem de dentro dela mesmo que a parede de vidro caia e não exista mais.
As atividades criativas também possuem suas regras, o desafio é criá-las respeitando os limites e não, impondo-os. O artista ama os vínculos e o jogador ama as regras. No trabalho criativo as regras são um desafio e no trabalho executivo, um limite que nos obriga a fazer mais e mais coisas desagradáveis num mesmo espaço de tempo possível.
As pessoas gastam vinte ou mais anos para aprenderem o que, de fato, poderiam aprender em três meses. Explorar o trabalho intelectual é, muitas vezes, utilizar as pessoas aquém de suas potencialidades e este é um capítulo da novela da grande infelicidade que gera medo e raiva, coisas que existem sem motivo e que são inúteis à produtividade, sendo mantidas pela alienação, a força física e a chantagem psicológica.
Conduzindo ao desespero pessoal, familiar e social. O trabalhador – sobretudo o masculino – se quiser fazer carreira tem que estar disponível a um sem número de transferências, imposições e dogmas, sem nenhum questionamento.
Na Atenas de Péricles era no ócio que se criavam as idéias filosóficas, artísticas e políticas, o que requeria o “não suar” mantendo corpos e mentes sãos. A competição poética era freqüente, pois entendiam que a máquina psíquica era descontínua e necessitava de ser sempre treinada, enquanto a física era contínua, daí a preferência pelos exercícios mentais contínuos.
Algumas máquinas psíquicas produzem mais idéias ao amanhecer, outras ao entardecer ou à noite, algumas produzem continuamente, outras são intermitentes. Algumas são produtivas por um tempo, parando depois de grandes intervalos ou para sempre. Relembrando Oscar Wilde, só os medíocres dão o melhor de si o tempo todo e as organizações precisam interiorizar isto.
Às vezes as obras de juventude feitas na miséria são infinitamente melhores do que as da maturidade que são construídas com muito mais recursos e acontece também o oposto. Muitos estréiam com obras-primas de baixo custo e são medíocres para o resto da vida, ou o grande passo artístico, intelectual e criativo pode ser dado nas vésperas da morte. Não há como delimitar espaço ou tempo, a criatividade está muito mais agregada à possibilidade de acolher e de elaborar estímulos do que, propriamente, dos recursos disponíveis, regras, estatutos e normas.
É muito importante cultuar a fecundidade ideativa com agregação, liderança e incentivo à criatividade que tanto pode ser estimulada pela opulência ou pela miséria. O ser humano é diverso e complexo e haveremos de estudá-lo caso a caso. Apenas os gênios é que criam obras extraordinárias sob condições desastrosas, perseguidos por credores, encarcerados ou moribundos, como o Marquês de Sade, Marx ou Gramsci. A criatividade precisa de veículos, estímulos, desafios e não, de regras e barreiras burocráticas. O trabalho criativo requer uma relação cheia de caprichos com o tempo, o prazer, a vontade, a inspiração e a escolha.
Se o trabalho só físico tivesse escolha, as pessoas escolheriam não fazê-lo. Daí a coerção psicológica do tipo gozar o ócio é pecado; quem é ocioso é ladrão, viciado, criminoso e vai para o inferno. As atividades intelectuais implicam no cansaço mental.
Muito trabalho físico exige pouco repouso, mas para poucas idéias é preciso muito ócio. O ócio criativo não é parar o corpo e a mente. É aquela trabalheira mental que acontece quando dormimos à noite, por exemplo.
Criar não significa não pensar. Significa não pensar regras obrigatórias, não ser assediado pelo cronômetro, não obedecer aos percursos da racionalidade e todas aquelas maluquices que Taylor e Fayol inventaram para bitolar o trabalhador e torná-lo eficiente. O ócio criativo é um instrumento da ideação, é uma matéria-prima, da qual o cérebro se serve para, mais uma vez, produzir idéias. O ócio é profundamente necessário para o desenvolvimento de idéias e estas, são fundamentais para o desenvolvimento da sociedade. Devemos, portanto, educar as pessoas também, eu diria, até principalmente, para o ócio e não só para o trabalho, como infelizmente acontece até os nossos dias.
Educá-las não para o ócio dissipador e alienante, que nos faz sentir vazios, inúteis e nos afundar no tédio, na depressão e nos subestimar. Mas no ócio criativo que torna a mente ativa, que nos faz sentir livres, fecundos e em crescimento. Não no ócio que nos depaupera, mas no que nos enriquece, alimentado por estímulos ideativos e interdisciplinaridades. Nele, as intuições surgem das hibridações de mundos diversos. Assim, ir ao cinema, ao teatro, à praia, tomar um chope, dançar, bater papo ou sair de férias, e até mesmo ficar sem fazer nada, não é tempo perdido, mas estímulo para intuir, para aprender coisas, compreender, executar e inventar outras.
Hoje, quanto mais tempo um executivo passa dentro de um escritório, menos produtivo é e menos idéias tem. Entretanto, com medo de mudarem seu esquema, as empresas pagam as pessoas para não produzirem nada. Os executivos vivem num quartel psíquico, são infelizes e limitados. Eles moram em casas belas e confortáveis em bairros agradabilíssimos, mas passam a maior parte do tempo trancafiados. Sonham para os filhos desempregados um emprego como o deles e os filhos esconjuram aquele emprego como se fosse uma peste.
Acho mesmo que os executivos de meia idade são pessoas doentes. E pior, sofrem de uma doença contagiosa. Transmitem aos mais jovens uma vida baseada no excesso de esforço, na subordinação, ao invés da dignidade. Eles deveriam ser isolados para não contaminarem. Mas, ao mesmo tempo, deveriam ser tratados com carinho. São uns alienados e infelizes e depois da aposentadoria vivem da solidão e do saudosismo.
O executivo fica, em geral, mais de dez horas por dia na empresa e assim ela condiciona também as suas noites. Uma executiva, por exemplo, quando faz amor à noite, não faz amor, o que faz amor é a máquina que está instalada dentro dela. A empresa é uma instituição totalitária como uma prisão ou um hospício. Ela suga a inteligência e condiciona as emoções e os afetos. O coletivo prevalece sobre o individual e a cultura da empresa tornou-se o motor de todas as demais organizações, elas discriminam o feminino, fazem prevalecer a aristocracia. Nelas consumam-se desperdícios incríveis, principalmente de tempo e inteligência, e, em nome da racionalidade realizam as escolhas mais inadequadas.
As empresas mais inflexíveis exigem que seus empregados sejam flexíveis, numa brutal incoerência. Nelas multiplicam-se os procedimentos burocráticos, frauda-se o fisco e pagam-se manobras. A sociedade é, em tese, democrática, mas as empresas continuam cada vez mais hierárquicas, piramidais e autoritárias. Seus chefes não são eleitos pela base, mas nomeados pelo topo e, muitas vezes, vêm de fora e são impostos a qualquer custo. Aos subordinados só resta aceitarem as novas imposições das quais tomam conhecimento por meios de comunicação externos e não, da própria empresa, como era de se esperar.
Assim, como sua cópia autêntica, as comunidades sociais funcionam pessimamente. Exatamente porque o indivíduo igualitário é gerido por grupos, ditatorialmente, o que, de acordo com Tocqueville, significa contrariar o homem, diminuí-lo e lembrá-lo a todo instante da sua condição ínfima de subalterno, secundarizado e dependente.
Os novos presidentes das organizações chegam de fora, são portadores da discórdia, e, muitas vezes, são escolhidos por minorias e sob condições escusas e secretas. As organizações têm de ser salvas de sua estupidez gratuita, liberadas das restrições absurdas do taylorismo e reavivadas com boas doses de motivação e descentralizadas por meio do teletrabalho.
A demarcação entre estudo, trabalho e tempo livre deve desaparecer por completo, passando para uma concorrência leal e solidária capaz de garantir a produção e a distribuição da riqueza. Tudo isto pode e deve ser feito, graças ao progresso e à difusão cultural é possível eliminar o carrasco e o estresse. Mas, para tanto, os novos executivos deverão tomar consciência da exploração que praticam, identificar seus opositores e se agregarem a novas alianças.
A nossa identidade dependerá da capacidade de produzirmos idéias, de viver o tempo livre, do nosso estudo e da nossa sensibilidade estética. Os seres humanos viveram o ócio durante milênios, foi a sociedade industrial que estabeleceu a lei da eficiência baseada na relação entre o trabalho e o tempo necessário para a sua execução. A introdução desta medida foi uma coisa imposta, forçando a natureza humana. Vivemos aturando o tempo imposto e é chegada a hora de viver o tempo escolhido. O ritmo infernal da sociedade industrial não nos deixa sobrar um minuto para respirar e compreendemos a importância de ter tempo porque o tínhamos e não era suficiente.
Chegou o tempo em que a vida aumenta e o trabalho diminui. Temos mais tempo, mais cultura e mais consciência disto. Diante desta revolução é esperada uma angústia existencialista como retratam os filmes e romances como A náusea, de Sartre e O tédio, de Maravia que, em síntese, revelam o desejo obstinado de libertar os fracos dos domínios dos poderosos. Mas, dentre estes, frios e entediantes, eu sempre preferi Albert Camus que é mais caloroso e cheio de generosidade. Como esquecer O mito de Sísifo, A peste ou O estrangeiro?
O tédio aumenta porque estamos acostumados a associar tudo na vida a uma só coisa: o trabalho que passou a ser, há milênios, o nosso compromisso-chave e este compromisso tem que passar a ser minoritário do ponto de vista temporal. Somos como o prisioneiro do filme de Tim Robbins, muita liberdade de repente pode nos encher de alegria ou nos atirar num buraco feito de pânico, de medo ou de tédio.
O tédio, por sua vez, pode ser vivido como uma paralisação ou como medida disspipativo-criminosa. Para não sê-lo, é preciso transformá-lo em ócio criativo, preenchendo o tempo, agora livre, com atividades escolhidas por vontade própria, ao invés da coação dos escritórios ou da linha de montagem. É a situação do poeta, do artista, do amante do xadrez, ou de quem adora computador, pintura, voluntariado ou alpinismo.
A criatividade se nutre do desperdício de milhares de horas de reflexão e exercícios que são uma perambulação do corpo e da mente que mais cedo ou mais tarde acaba desembocando em uma ação positiva; em uma obra de arte, um novo teorema, uma canção, versos, arranjos florais, jardins. Posso criar obras concretas esculpindo uma estátua ou fazendo um bolo. Enquanto estou sentado o cérebro passeia e eu escrevo. Somo as virtualidades do cinema às mais recentes evoluções da informática e da eletrônica. Faço artes gráficas no computador, transplanto fotografias, manipulo imagens.
De que serve viver se você não se sente viver? Saber viver hoje implica uma pedagogia baseada na solidariedade, nos princípios estéticos e criativos e o trabalho deve ser ensinado como um prazer criativo e estimulante. Deve-se ensinar também o não-trabalho: a viver prazerosamente e com sabedoria, apenas se deliciando, nada ,mais.
Outra palavra de ordem é criatividade. Os tecnocratas têm medo dela e da inovação, enquanto os criativos temem o imobilismo. Vencerão os criativos, pois a sociedade pós-industrial se alimenta de inovação, premia a iniciativa e joga fora o imobilismo. Hoje, o subalterno do engenheiro é outro engenheiro atualizado e ágil o que mina as bases da antiga concepção de chefia, cria uma organização por projetos e leva a uma rotação de lideranças. O trabalho nunca foi coisa para autodidata, tem que ser ensinado e aprendido durante pacientes anos de dedicação. Da mesma forma, o tempo livre prescinde de profundos aprendizados.
Os jovens de hoje, em 2 015 não poderão dar-se ao luxo de serem desonestos, pois lá os valores emergentes serão escolarização, emotividade, estética, subjetividade, confiança, estabilidade, feminilização, qualidade de vida, desestruturação do tempo e do espaço e a virtualidade. Será dada menos atenção ao dinheiro, posses e bens materiais e ao poder. Maior atenção ao saber, ao convívio social, ao jogo, ao amor, à introspecção. Os métodos pedagógicos deverão valorizar mais o diálogo, a escuta, a solidariedade, a criatividade.
A sociedade pós-industrial é menos ligada à agressividade, pois sua estrutura tem a forma de rede com um número potencialmente infinito de nós e malhas. As relações dela decorrentes são muito mais evolutivas, requerendo novas formações para a necessária mudança de paradigma. Deveremos então nos atualizar ininterruptamente, adquirindo formação filosófica, ética, estética, lingüística, técnica, econômica, psicológica, política, ecológica, cultural e sociológica, que deverá dar-se ao mesmo tempo. Será cada vez mais difícil separar o treinamento da formação e o jogo do trabalho e do prazer.
Haveremos de partilhar a riqueza ao invés de só aumentá-la. Ensinaremos que é inútil e pouco inteligente gastar energia para se tentar angariar novos bens se ainda não usufruímos realmente do que já dispomos. É inútil comprar livros ou discos quando ainda não lemos e nem ouvimos os que temos. Em outros tempos os ricos descansavam e os pobres se esfalfavam. Hoje isto se inverteu: os ricos correm doidos para cuidarem de seus negócios enquanto os pobres são obrigados à inércia do desemprego. E quem trabalha é obrigado a ficar aquém de sua capacidade, o que é alienante e aviltante.
É preciso educar para a complexidade, quanto mais a pessoa souber administrar esta realidade, mais madura será. A sociedade industrial simplificava os problemas complexos, transformando-os em vários problemas simplificados. A pós-industrial, por sua vez, dispõe de instrumentos potentes para enfrentar problemas de igual dimensão, encontrando muito mais facilmente as soluções adequadas frente ao saber secularmente acumulado. Assim, problemas, soluções e técnicas tornam-se uma corrente mais rica e mais humana porque o ser humano é igualmente complexo e aspirar administrar a complexidade com um pensamento simples e linear significa observar apenas a continuidade dos fluxos e suas várias fases. Já o pensamento complexo significa, ao contrário, aceitar o seu caráter mesclado, incongruente, descontínuo, e, para isto, precisamos de uma educação permanente para a descontinuidade e para a mudança.
A abordagem linear e a exigência de continuidade completamente anacrônicas despertam o medo e a insegurança diante do novo. O medo quase apocalíptico de algumas pessoas diante do novo nasce da dificuldade de enfrentar a descontinuidade. Temos medo de ter uma vida muito melhor do que a de nossos avós. Quanto mais ricas as pessoas, mais cínicas elas são. Têm medo de perderem justamente o privilégio que não merecem. Foi este o medo que serviu de base para o fascismo. A pedagogia da era industrial ensinava a separar as coisas: trabalho é trabalho e lazer é lazer. Hoje, pelo contrário, temos que perder o medo de encarar estas coisas juntas, acopladas, intercomplementares e simultâneas.Ajudei, em 65 a retirar da máquina uma senhora totalmente ensangüentada, que acabava de ter amputados os quatro dedos e ainda gritava: - “... minha Nossa Senhora, meu Jesus Cristo, não vou poder mais trabalhar...” é uma das passagens demonstradas por Toffler.
Temos que usar a criatividade no trabalho juntando fantasia à concretude, é preciso saber realizá-las, mas unir fantasia a uma concretude medíocre será uma criatividade pobre. Mas podemos unir fantasia e concretude em altos níveis e realizar assim uma criatividade valiosa. É preciso unir pessoas que são mais lógicas com pessoas preferencialmente sonhadoras, para que ambas se ajudem mutuamente, realizando assim grandes projetos ricos e criativos. É este o único caminho para as nossas organizações, a única saída para que a vida continue a existir.
Não basta só juntar pessoas, é preciso ter uma liderança carismática para uma nova definição das regras do jogo. É necessário educar para a criatividade, ajudando a pessoa a encontrar a sua vocação autêntica, parceiros adequados e criar um contexto mais próprio. Descobrir formas de explorar os vários aspectos do problema que a preocupa. Fazer com que a sua mente fique relaxada e como estimulá-la para que crie idéias justas. Principalmente, educá-la para não temer e não dificultar o fluir incessante das inovações. Pois como dizia Heráclito: “É na mudança que as coisas repousam.”
Vamos, portanto, operacionalizar a mudança do processo executivo para o ideativo, da substância, para a forma, do duradouro para o efêmero, da prática para a estética, da precisão para a aproximação, do científico para o pós-científico. O que significa a necessária substituição de uma cultura do sacrifício e da especialização cuja finalidade era o consumismo, para uma visão pós-moderna do bem-estar e da interdisciplinaridade, cujo fim é o crescimento do subjetivo, da afetividade e da melhoria da qualidade do trabalho e da qualidade da vida.
Os mitos greco-romanos que propunham qualquer inovação eram severamente castigados como Ícaro, Sísifo, Ptolomeu e Ulisses. Uma máquina é uma maquinação e um expediente é uma armadilha contra a natureza. Para que aconteça o verdadeiro salto para a qualidade é preciso que existam pessoas desligadas da prática, que se dispunham de um tempo livre do esforço físico e que tenham gosto em inovar, seja por meio de especulações mentais ou experimentos, por meio dos quais a natureza é observada, cutucada e provocada.
Devemos caminhar da exatidão para a aproximação, evoluindo para depois de Galileu, Newton e Descartes, buscando um mundo cujo centro não seja mais a rigidez, mas e flexibilidade e que esta substitua a simples execução. O homem é um ser pensante, mas suas grandes obras se realizam quando ele não calcula e nem pensa, mas sonha. Não é o ângulo reto e nem a linha reta dura e inflexível que me atraem, mas a curva livre e sensual. De curvas é feito todo o universo, disse Oscar Niemeyer.
Até os Estados Unidos se fundam na economia do ócio, isto, é claro, sem se dar conta; o que é comum em todos os países ditos avançados. Neles, a ética do trabalho é a ética da escravidão e o mundo pós-industrial não precisa mais de escravos. O trabalho já pode ser retirado do trono onde foi colocado pelos patrões, pelos filósofos e pela igreja católica no final do Séc. XVIII. Nos anos passados foi o trabalho que colonizou o tempo livre, nos anos futuros será o tempo livre que colonizará o trabalho. Afinal, aquele que só trabalha perde o tempo precioso, como diz um famoso provérbio espanhol.
Em muitas escolas, principalmente de administração, os horários são estressantes e a competitividade não conhece limites de modo a preparar o aluno exclusivamente para a vida profissional, com eficiência e sem escrúpulos. Sem qualquer interesse residual para o lazer, os afetos familiares, a liberdade de pensamento, conduzindo o futuro profissional para atividades tediosas, estúpidas e mal pagas. A missão que temos dentro de nós é a de educar a nós mesmos e aos outros a contaminar o estudo com o trabalho, o jogo e o prazer até fazer do ócio uma arte refinada, uma escolha de vida e uma fonte infindável de idéias. Até chegarmos ao ócio criativo, em que confluam e se misturem suavemente produção de sentido com produção de riqueza, alegria com aprendizado, pluralismo com identidade, fantasia e concretude, sensualidade e andragogia, racionalidade e afetividade. Criando um clima que sublima o cansaço em jogo, a música, as prescrições alegres, e, as poucas regras introjetadas, aceitas e construídas por todos e transcendentes de arte, sonhos, beleza e amor.
A organização aprende com a própria experiência, metaboliza as mais modernas técnicas construtivas, comunicativas e estéticas. Inclui e acolhe os sentimentos de estranheza entre quem participa e quem assiste. É uma festa doce, não-agressiva que cria a riqueza e amplia a economia do dom e não a do lucro.
Balançar-se numa rede parece-me ser o símbolo por excelência do trabalho criativo, perfeita antítese da linha de montagem, a qual foi símbolo do trabalho alienado. Em síntese, dar sentido às coisas de todos os dias, sempre lindas. Admirar quadros, assistir televisão, ler um livro, provocar discussão com o motorista do táxi, jogar conversa fora com os mendigos, admirar a sábia beleza de uma garrafa ou das carruagens que ainda passam pelas ruas.
A idéia de gozar o ócio sempre incomodou ao rico, pois com o advento da sociedade ociosa tudo muda. A escolha de um bom colchão é mais importante do que a de uma escrivaninha funcional. A escolha de um amigo com quem passear ou tirar férias é mais importante do que a escolha do colega de trabalho. É mais importante a escolha da faculdade que prepara para a vida do que a que prepara só para o exercício da profissão. O que conta não é o estresse da carreira, mas a serenidade da sabedoria.
Educar para o ócio significa ensinar a escolher um bom filme, uma peça de teatro, espetáculo de dança ou um livro. Ensinar como estar bem consigo mesmo, a habituar-se às atividades domésticas e com a produção de inúmeras coisas que antes comprávamos. Ensinar o ócio requer uma escolha atenta dos lugares justos para repousar, para amar e se divertir.
É preciso ensinar o jovem a se virar nos meandros do trabalho, nos meandros do prazer. Educar para a solidão e para a companhia, para a solidariedade, o voluntariado. Há tudo o que ensinar e tudo o que aprender. É necessário ter um sábio convívio com o ócio como produto também da educação.
Não existem mais motivos pelos quais a grande massa da população deva continuar sofrendo as privações do trabalho. Somente um ceticismo idiota para nos induzir a trabalhar tanto, quando não há mais necessidade disto. Educar para o ócio significa enriquecer as coisas de significado.A criatividade e a inovação não podem brotar nas organizações que ainda são administradas com métodos, tempos e sistemas de comandos concebidos há mais de cem anos, onde o executar é tudo sendo proibido inovar e criar.
Temos que evitar métodos que sirvam apenas a um capitalismo disfarçado de social-democracia. O ócio criativo deve incluir a ginástica que harmoniza o corpo e a poesia que encanta a alma. Nele, a guerra deve ser em função da paz e as coisas úteis em função das belas. É muito mais agradável trabalhar com pessoas que descansam, se divertem e gozam a vida.
O trabalho é profissão e o ócio é arte e os escravos do trabalho são os que pararam de pensar, de sonhar, de amar. Os mestres da vida são os que amam apagar a sua distinção com a arte. Só atendo à plenitude da qualidade da vida quando consigo a serenidade natural da alegria, beneficiando a todos e sem prejudicar a ninguém. Viver o ócio criativo é ter a certeza de que o paraíso existe e é nesta terra. Mas o inferno também existe e consiste em não se dar conta de que vivemos num paraíso.
III – COMENTÁRIOS E CONCLUSÃO
O ócio criativo de Domenico De Masi uma obra absolutamente indispensável aos que lidam com as necessidades de transformação do mundo, da sociedade e da melhoria concreta da qualidade de vida. Numa linguagem rica, calorosa e bem-humorada, o autor consegue tratar de temas cruciais e necessários a todos os que trabalham com gente, educam, sentem, sofrem, vivem. Provoca a revolução inadiável frente aos conflitos porque passa o mundo, na plenitude do caos humano, social, político, ético, cultural, econômico e ecológico que ora atravessamos.Um texto que abre perspectivas marcantes para a condução de princípios perseguidos pela humanidade há milênios. Uma leitura obrigatória aos estudantes de todas as ciências sem exceção, pois visa a construção de um mundo melhor, apoiada num novo ciclo pós-científico, na sensibilidade aguçada, na cooperação, na feminilidade, na autêntica parceria entre todos os povos.
O tema central está fincado nas condições políticas, na distribuição do poder e da riqueza para que todos possam viver com dignidade. Na redução drástica do tempo de trabalho, melhorando a vida das pessoas dentro e fora da empresa, para que todos possam ter acesso ao trabalho e a uma vida com muito mais qualidade, mais prazer e para o que, precisam ser continuamente educados e reeducados. Junção de idéias estranhas e pessoas de diferentes modos de pensar e estilos de vida. Construção coletiva das poucas necessárias regras de conduta, num mundo gerido pela ética, a estética e a justiça social, são as saídas que o autor advoga para as organizações e a sustentabilidade da vida humana.
Retrata o amor, a sensibilidade, a beleza, a paz, o teletrabalho, a descentralização do poder de decidir e a drástica redução do tempo de serviço como instrumentos para se viver o tempo livre e transformá-lo em ócio criativo e em novas idéias rumo a uma vida mais com melhor qualidade para todos. Enfim, o texto trata de sabedorias políticas e filosóficas indispensáveis frente a gravidade da conduta humana e do risco iminente nos tempos em que vivemos. Apresenta propostas novas e originais que, uma vez colocadas em prática por todos: governantes, empresários, trabalhadores, homens e mulheres comuns, poderão significar esperanças de melhorias concretas e garantias de uma vida digna e decente para todos, sem distinção.
(*) Livro-entrevista em que o sociólogo italiano Domenico De Masi (nascido em 1 938)
responde a perguntas elaboradas por Maria Serena Palieri sobre mundo atual, tempo livre e globalização. Publicado no Brasil pela Editora Sextante, do Rio de Janeiro, 2000 – 336 págs.
Tradução de Lea Manzi.
(**) MsC em educação e administração, consultor e professor universitário.
Autor de artigos e livros, dentre os quais, Paradigmas em educação no novo milênio (Ed. Kelps, 2 003) e Escolas & Hospícios – ensaio sobre a educação e a construção da loucura (Ed. Vozes, 2 005).




terça-feira, 31 de março de 2009

Como formar leitores e escritores competentes:


Como formar leitores e escritores competentes


Luciana Cláudia de Castro Olímpio

Universidade Estadual Vale do Acaraú – UVA (Sobral, CE)


Uma das tarefas primordiais dos professores de Língua Materna – Língua Portuguesa – e, em especial, dos alfabetizadores é a formação do leitor e escritor competentes. Enfatizo a importância dos alfabetizadores, pois são eles os primeiros responsáveis pelo contato sistemático das crianças com a língua escrita.


Neste artigo, faço algumas reflexões sobre leitura, escrita e ortografia, na tentativa de sugerir estratégias que norteiem o professor para orientar o aluno na construção de uma escrita coerente e ortograficamente correta, como também na formação de uma leitura significativa, aquela que envolve a compreensão do sentido global do texto e ultrapassa a decodificação mecânica de palavra por palavra, letra por letra, que ao invés de ajudar, faz é atrapalhar.


Com esse objetivo, proponho alternativas de trabalhos com textos e didáticas para implantação tanto no ensino fundamental como para o ensino médio, baseadas nas idéias de Frank Smith ( “Compreendendo a Leitura”, fornecido pela biblioteca Vicente Martins), João Vadeley Geraldi (“Prática da Leitura na Escola”), Nadja da Costa R. Moreira ( “Orientações para o Ensino da Leitura”) e outros mais citados na bibliografia, em que enfatizam o desenvolvimento das habilidades de raciocínio de leitura e escrita.


Metodologia


A leitura e a escrita são processos comuns aos seres humanos desde muito tempo, apesar de terem sido durante alguns séculos proibidos para uns (caso das mulheres) e liberados para outros ( como é o caso da nobreza) . Depois da invenção das escolas, passou-se a ter a preocupação em ensinar com eficiência a ler e a escrever, tarefa não tão simples, pois até hoje, estudiosos e professores procuram esta tão sonhada fórmula para orientar bem o ensino de uma leitura crítica e uma escrita significativa.


E, antes de qualquer sugestão metodológica, é preciso conceituar, em cada momento da reflexão, leitura, escrita e ortografia sem trair a concepção dos autores estudados.Começarei com a leitura, um dos problemas mais preocupantes para os professores de Língua Portuguesa, já que os alunos, a cada dia, criam uma certa aversão à leitura.


Dentre os autores analisados apego-me a Geraldi (1999, p. 91) que afirma:“... a leitura é um processo de interlocução entre leitor / autor mediado pelo texto. Encontro com o autor, ausente, que se dá pela sua palavra escrita.”, ou seja, ler é interpretar e compreender o que o autor quer transmitir tanto nas linhas como nas entrelinhas.“O entendimento ou compreensão é a base da leitura e do aprendizado desta. (...) Aprendemos a ler, e aprendemos através da leitura, acrescentado coisas àquilo que já sabemos.” (Smith, 2003, p. 21)Baseada nas idéias de Smith, creio não trair o autor citado se disser que a leitura é uma atividade muito mais complexa do que a simples interpretação dos símbolos gráficos , de códigos, requer que o indivíduo seja capaz de interpretar o material lido, comparando-o à sua bagagem pessoal, ou seja, requer que o indivíduo matenha um comportamento ativo diante da leitura.


Para que isso aconteça, é necessário que haja maturidade para a compreensão do material lido, senão tudo cairá no esquecimento ou ficará armazenado na memória sem uso, até que se tenha condições cognitivas (conhecimento) para utilizar.Esta compreensão do texto, citado no parágrafo anterior, é um processo que se caracteriza pela utilização do conhecimento prévio: o leitor utiliza na leitura o que ele já sabe, o conhecimento adquirido ao logo de sua vida. É mediante a interação de diversos níveis de conhecimento, como o conhecimento lingüístico, o textual, o conhecimento de mundo que o leitor consegue construir o sentido do texto.Os conhecimentos relacionados acima são importantes para uma leitura de qualidade, pois cada um tem uma função diante da leitura.


O conhecimento lingüístico abrange desde o conhecimento sobre pronunciar o português, passando pelo conhecimento de vocabulário e regras da língua, chegando até o conhecimento sobre o uso da língua. Já o conhecimento do texto refere-se as noções e conceitos sobre o texto (Quanto mais conhecimento textual o leitor tiver, quanto maior a sua exposição a todo tipo de texto, mais fácil será a sua compreensão). O outro conhecimento, o conhecimento de mundo, é adquirido informalmente, através das experiências, do convívio numa sociedade, cuja ativação, no momento oportuno, é também essencial à compreensão de um texto.Se estes conhecimentos não forem respeitados, o objetivo e aprendizagem da leitura não serão alcançados.


Isso acontece muito nas escolas, principalmente nas tradicionalistas. A maioria dos educadores de Língua Portuguesa, preocupados em seguir um plano didático, oferecem aos estudantes leituras de níveis bem superiores aos deles, proporcionando perplexidade dos mesmos diante do texto lido devido a incompreensão gerada por deficiência em algum conhecimento ou em todos citados acima.Cito, como exemplo do que foi exposto no parágrafo anterior, um trecho do ensaio: “Os brasileiros – uma nova interpretação”, de Roberto Pompeu de Toledo (Revista Veja, 03 de maio, 2006):“O presidente do INSS, Valdir Moysés Simão, disse ao Jornal Nacional, da Rede Globo, que foi ao ar na segunda-feira, que as filas nas unidades de atendimanto do órgão se devem a uma “questão cultural” . Seria um traço do povo brasileiro já tão arraigado na consciência coletiva que contra ele se esboroam as boas intenções das autoridades.


A frase completa foi: ‘Por uma questão cultural, o segurado tem receio e acaba chegando muito cedo...’”A compreensão do trecho acima pode ficar comprometida se o leitor não tiver um dos conhecimentos como o lingüístico, o textual ou o conhecimento de mundo, ou seja, se não entender o vocabulário ( como o significado das palavras arraigado ou esboroam) , nem o tipo de texto (como no caso se é ensaio ou artigo) e nem tão pouco se não souber o que é o INSS, ou seja conhecimento de mundo..Para amenizar as dificuldades de interpretação e compreensão de um texto, Smith (2003, p. 84) aconselha que a leitura seja rápida, seletiva e compatível ao que o leitor já sabe. Smith quis dizer que a leitura seja rápida e não descuidada, o leitor deve utilizar as informações não visuais (conhecimento prévio) para evitar ser confundido com uma leitura lenta, ou seja, uma leitura que busca muitas informações ao mesmo tempo, como vocabular, textual ou as informações implícitas.
Para se conseguir esta leitura rápida, seletiva e ao nível dos alunos, é preciso planejar antes, observar se os textos escolhidos realmente estão no nível dos educandos e a partir desse entendimento trabalhar com projetos.
Sabidos de que não é tão fácil de resolver este problema de dificuldades na leitura, proponho algumas condições que o professor de língua materna deve aceitar.


Um dos primeiros passos para um bom desenvolvimento da leitura é acabar com o pensamento de muitos educadores de que leitura é uma forma de castigo, tirando a idéia lúdica do ato de ler, como mostra Geraldi (1999, p. 97) “A fruição, o prazer, estão excluídos (...) A escola, reproduzindo o sistema e preparando para ele, exclui qualquer atividade não rendosa: lê-se um romance para preencher uma famigerada ficha de leitura, para se fazer uma prova ou até mesmo para se ver livre da recuperação.”

Deve-se entender que a leitura não deve ser uma apologia da dureza, da insensibilidade, da frieza, repressão e do medo. Esses atos podem transformar-se em efeitos colaterais catastróficos.


Pode até parecer absurdo, mas muitas escolas, principalmente as privadas, usam e abusam deste método tão condenável para quem realmente sabe o significado do que é ler, gosta e quer aprender ou ensinar a ler.


Além desta situação citada acima, ainda existe os vestibulares que apóiam, de forma indireta, e obrigam aos candidatos a lerem os livros selecionados pela comissão executiva do vestibular no intuito de saberem responder as perguntas da prova de seleção, que muitas vezes são mal elaboradas e que de certa forma duvidam da inteligência dos candidatos, além de mostrar que não é preciso ler a obra na íntegra para saber responder algumas perguntas, fazendo assim apologia à leitura de resumos comentados.
Como é o caso da prova de Língua Portuguesa, do vestibular da UVA (Universidade Estadual Vale do Acaraú) de 2005.2, em que na questão de número 06 (seis) pergunta-se qual o personagem principal da obra em questão).
Esta questão é totalmente contrária ao pensamento da leitura crítica.
Será que com tantas possibilidades de acesso as informações de livros, o aluno precisará ler a obra para ter esta informação?


Os professores de Língua Portuguesa trabalham leitura dentro e fora da sala de aula, na intenção de amenizar as dificuldades de ler.
E é com a interação de diversos métodos de trabalho como a roda de leitura, os encontros literários (obras literárias apresentadas em forma de paródias, poesias, literatura de cordel, apresentações teatrais), paráfrases, jogos de adivinhações literárias, além das reflexões, interpretações e compreensões de textos através de perguntas coerentes que levem o aluno a pensar e participar das aulas de uma forma lúdica que os docentes apostam na melhoria desse antigo problema.


São vários os métodos para se trabalhar leitura. Começarei esta apresentação com a roda de leitura, oficina muito interessante que dá oportunidade do aluno escolher uma obra dentre muitas selecionada pelo professor referente à escola literária estudada no momento (cerca de uns 30 livros).
Para trabalhar com a roda de leitura não é necessário usar somente obras literárias pode ser feita com textos mais curtos, como ensaios, contos, crônicas, entrevistas, textos jornalísticos etc.. Nesta oficina, o educando tem a oportunidade de se expressar, de apresentar o livro lido de uma maneira mais informal, com expressões próprias e com a ajuda de outros colegas que também tenham lido o mesmo texto.
A exposição dos discentes são seguidas de momentos de reflexões coordenadas pelo professor ou pelos outros alunos da sala. Este método além de proporcionar aprendizagem, também incentiva outros alunos a ler as obras apresentada.
Condemarín e Medina (2005, p. 45) afirmam que: “... Os círculos literários são discussões sobre literatura coordenadas pelo professor incluindo toda a classe, ou realizadas em pequenos grupos formadas por duplas. (...) Os alunos participam do diálogo para interpretar ou explicar o conteúdo.


Na medida em que dão atenção ao argumento, motivos e características dos personagens, aos conflitos que ocorrem dentro da história e suas soluções, eles constroem um amplo leque de significados que relacionam e ampliam suas próprias experiências.”Os encontros literários também fazem parte do processo do ensino de leitura e oportuniza ao professor a descobrir novos talentos.


As obras literárias são lidas em grupos e apresentadas em sala de aula através de paródias, literatura de cordel, poesias, seminários e peças teatrais.
Este trabalho pode ser implantado tanto com os alunos do Ensino Fundamental, como do Ensino Médio.
Os discentes lêem as obras selecionadas de acordo com o momento estudado na literatura e apresentam de forma lúdica aos outros colegas de sala ou até mesmo para alguns convidados.
Tem-se como exemplo um projeto elaborado pela professora de Língua Portuguesa, da Escola Wilebaldo Aguiar, de Massapê, aplicado nas segundas e terceiras séries do Ensino Médio, com o objetivo de os alunos aprenderem de forma mais prazerosa, os livros selecionado pelo professor.


Este projeto também foi aplicado com os livros do vestibular da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA).Vejamos um exemplo de uma das apresentações, em forma de paródia, com o resumo de “Senhora”, de José de Alencar, aplicado na segunda série do Ensino Médio. A paródia é uma adaptação da música “Só hoje”, de Jota Quest.

Esta história aconteceu no Rio de Janeiro

Aurélia Camargo estava apaixonada

Era uma coisa normal

Seu grande amor era Fernando Seixas e por ele estava louca

Um amor que ninguém nunca viu

Que ninguém nunca viu

Decidiram então se casar

Depois de um tempo a abandonou

Atraído pelo dote de Adelaide Amaral

Aurélia decidiu logo se vingar de Seixas

Com uma herança inesperada

Do avô que ela recebera

Era preciso

A moça lhe ofereceu cem contos de réis

Se ele quisesse se casar

Viu a noiva só no dia do seu casamento

Aurélia mostrou o recibo da compra

Seixas pagou a dívida, limpando sua honra, com uma despedida

Mas se abraçaram loucamente e viveram felizes para sempre.

A paródia foi apresentada com a melodia de um violão e a ajuda dos alunos que acompanharam lendo a cópia da paródia distribuída pelo grupo.
Depois da apresentação, os alunos da equipe fizeram um estudo crítico e responderam as perguntas dos colegas de classe, do professor e dos convidados, transformando a sala de aula em um lugar de debates e discussões acerca do livro e do momento em que ele está inserido, fazendo muitas vezes uma comparação dos acontecimentos e temáticas da obras com os dias atuais.
Embora a paráfrase de obras literárias, principalmente os indicados pelos vestibulares e textos em geral, seja muito comum em livros didáticos e na Internet, este método continua sendo eficiente para ser trabalhado em sala de aula para que o professor possa observar se o aluno compreendeu o texto ou a obra lida.
De acordo com Condemarín e Medina (2005, p. 45): “Essa ação obriga os alunos a reorganizarem os elementos do texto de maneira pessoal, o que revela sua compreensão. A paráfrase proporciona mais informação sobre o que os alunos realmente pensam sobre a história do que quando se pede uma opinião geral a respeito desta.”O jogo de adivinhação é outra forma para ensinar leitura.
Através de perguntas e passagens importantes das obras lidas os alunos devem adivinhar a que obra pertence.Todas as estratégias de ensino da leitura são válidos, só basta que os professores saibam e transmitam aos alunos o real conceito, função e importância do saber ler para construir leitores críticos e participativos.
Um dos processos para este acontecimento é o docente avaliar de forma coerente a leitura dos alunos para obter resultado e saber ensiná-los com eficiência.
Além da leitura, tem-se a escrita que é uma das formas superiores de linguagem, requer que a pessoa seja capaz de conservar a idéia que tem em mente, ordenando-a numa determinada seqüência e relação, ou seja, planejar e esquematizar a colocação correta de palavras ou idéias no papel.
Este processo é um tanto complicado até mesmo para grandes escritores , quem dirá para nós, simples mortais.
Vejamos os versos do grande poeta do Modernismo brasileiro Carlos Drummond de Andrade.“Gastei uma hora pensando um verso que a pena não quer escrever no entanto ele está cá dentro Inquieto, vivo ele está cá dentro e não quer sair.
”No entanto escrever não é apenas uma questão de gramática, de morfologia ou de sintaxe, não é uma questão de executar, certo ou errado, determinados padrões lingüísticos.
Não é tão pouco formar frases, nem sequer juntá-las, por mais bem formadas que elas estejam.
Condemarín e Medina (2005, p. 63) firmam que:
“Escrever ou produzir um texto é um ato fundamentalmente comunicativo, assim, para aprender a escrever é necessário enfrentar a necessidade de comunicar algo em uma situação real, a um destinatário real, com propósitos reais.”Em outras palavras é ativar sentidos e representações já sedimentados que sejam relevantes num determinado modelo de realidade e para um fim específico; é antes de tudo, agir, atuar socialmente; é, nas mais diferentes oportunidades realizar atos convencionalmente definidos, tipificados pelos grupos sociais, atos normalizados, estabilizados em gêneros, com feição própria e definida.
É uma forma a mais de, tipicamente, externar intenções, de praticar ações, de intervir socialmente, de “fazer”, afinal.Para que ocorra o aprendizado da escrita é necessário que se compreenda a real função dela.
Função esta que é muitas vezes ignorada pelas escolas por elas terem o único objetivo de os alunos aprenderem redação.
Assim afirma Kaufman (1995, p. 51):“ O absurdo da escola tradicional é que se escreve nada para ninguém. Todo o esforço que a escola tradicional pede à criança é o de aprender a escrever para demonstrar que sabe escrever.” , um jornal da classe, um guia turístico; ou como parte de um projeto mais amplo. Por exemplo, uma carta ao gerente de uma indústria que se deseja visitar, um cartaz para anunciar uma O problema acima citado é comum nas escolas, mas é de fácil resolução. Uma das formas de buscar uma eficiente aprendizagem na escrita, é antes de o professor iniciar o ensino, planejar-se.
O planejamento é algo importante não só na escola como também na vida pessoal.
O objetivo do planejamento é de o educador levar em consideração o que os discentes sabem e o que eles ignoram, podendo assim formular projetos de escrita que incentivem os alunos a quererem produzir algo.“Um projeto de escrita pode ser concebido como um todo:
por exemplo, um livro de poemascompetição esportiva, etc.” (Condemarín e Medina, 2005, p. 65)Com o trecho acima enfatizo os benefícios dos projetos que contam com algum receptor dos materiais escritos, conhecidos e desconhecidos, mas leitor em potencial dos textos que serão produzidos, já que ninguém, fora dos muros escolares, escreve para ninguém.
Sempre há um destinatário.
Estes projetos têm como objetivo incentivar os alunos a melhorarem a escrita, pois conscientes de que dentro da escola os únicos destinatários são seus professores e seus pais, eles não têm uma real vontade para melhorar suas produções.
Muitos argumentam que o professor ou os pais entendem as letras deles, mesmo que o traçado não seja legível, que sabem que são fracos na ortografia e que quando não são claros no que escrevem os professores ou os pais perguntam.
Com a aplicação desses projetos, os textos escritos pelos alunos passam a ter um outro sentido e a partir disto eles começam a se preocupar tanto com o conteúdo como com a escrita e, conseqüentemente, melhoram a aprendizagem neste quesito.
Um outro ponto importante que o professor de Língua Portuguesa precisa saber é que ele é um educador do pensamento e da interioridade dos alunos, pois a função do professor de redação é de orientar o aluno através da leitura de textos ou contação de histórias que se relacionem aos temas dados em sala de aula para que eles desabrochem na escrita.
Por exemplo,
o educador pode solicitar que o aluno disserte um texto sobre a desigualdade social, e antes da produção ele pode ler a poesia “O bicho”, de Manuel Bandeira que relata a triste situação de alguns seres humanos.
O ato de escrever é uma atividade individual e solitária.
É o momento em que se fecham as portas do exterior e se abrem as portas do mundo interior para nele o indivíduo mergulhar.
Então, mesmo que o objetivo da escrita seja um acontecimento, algo relacionado a uma realidade basicamente física, é difícil para o discente escrever.
Isso por que a realidade interior somente adquire significado e organização a partir de uma realidade exterior sob o prisma da realidade interior.
Resumindo, se o aluno não tiver a ajuda do professor com leituras, debates ou discussões específicas a cada trabalho, ele, se não for acostumado a viver sós com os pensamentos e sensações, se não tiver um interior com idéias organizadas e concretas, possivelmente, ao se deparar com um tema e uma folha em branco, se perderá no emaranhado de suas idéias, pensamentos e sentimentos.
O mundo interior estará confuso e desorganizado e, consequentemente, não saberá qual caminho seguir e tão pouco como começar.
Como mais um exemplo deste trabalho de ajuda, destaco o projeto da professora Maria Margarida Simões Catali, ganhadora do Prêmio Victor Civita na categoria de Língua Portuguesa. Em 1999, ela explorou fábulas com seus alunos de 5ª série. Eles aprendiam detalhes dessa proposta narrativa enquanto refletiam sobre a própria conduta, a dos colegas e a da sociedade.
Lendo e interpretando “A Cigarra e a Formiga”, de La Fontaine, todos discutiam diversas morais possíveis para a história.
Depois, cada um produziu um texto defendendo seu ponto de vista.
A produção textual em grupo e o uso do borrão são maneiras eficientes de melhorar a escrita. O primeiro, através de debates com os colegas, ativa a idéia de quem tem dificuldade em produzir texto. Além de ser uma forma de um avaliar o texto do outro, indicando os erros ou melhorando passagens do que está escrito ou expressões.
Este trabalho estimula a leitura crítica e estabelece relações de ajuda recíproca entre eles, transformando-os em verdadeiros avaliadores.
O professor de Português pode criar uma ficha de avaliação para ajudar e orientar os alunos na prática da avaliação.
Os itens usados como elementos de uma ficha de auto-avaliação ou de avaliação em grupo pode ser modificada, de acordo com a vontade do professor ou o nível e vontade dos alunos.
Observemos abaixo um modelo de ficha de avaliação.
Escola:
Aluno= Autor:
Nº Série= Classe: O = Ótimo B = Bom R = Regular Ficha de Avaliação Aspectos Estéticos Aspectos Estilísticosa.
Legibilidade da letra a.
Repetição de palavras b.
Paragrafação b. Frases longasc.
Margens irregulares c.
Emprego de palavras desnecessárias d.
Travessão d.
Escrever como se estivesse falando e.
Ausência de rasuras Aspectos Estruturais,
Aspectos Gramaticais Este aspecto é diferenciado para cada redação, principalmente se os gêneros forem diferentes.
Esse é o aspecto principal da avaliação.a.
Ortografia b.
Acentuação c.
Concordância d.
Pontuação Obs:
Apontar os erros na redação do colega a lápis.
Antes de aplicar a ficha de avaliação, o professor deve exigir a elaboração do rascunho.
O aluno precisa saber o motivo da exigência e a utilidade do rascunho, pois tal fase é feita naturalmente pelo escritor, pelo jornalista, pelo pinto, pelo desenhista, pelo advogado e outros profissionais que dele necessitam para um bom resultado do trabalho.
Só os broncos e arrogantes dispensam o rascunho.
Precisa ficar bem claro para o aluno (são muitos os que não gostam de utilizar o borrão em suas tarefas de produção textual) que o rascunho não é apenas uma exigência chata do professor, assim como ele precisa saber usá-lo.
Se o discente mecanicamente passa do borrão para o texto definitivo, sem uma leitura crítica (sua ou de seu colega) ele de fato vai se tornar uma atividade enfadonha e não haverá possibilidade da observação dos erros ou da organização das idéias.
Como forma de educar o aluno para a feitura do rascunho, já que este procedimento é importante para o ensino-aprendizagem da escrita, é bom pedir para cada um entregá-lo a um colega para que os olhos estranhos procedam à revisão.
Quando o texto for feito em casa, pede-se para o aluno “deixar o texto dormir” , ou seja, só passar a limpo horas depois ou no dia seguinte.
Assim, ele ganhará distanciamento crítico e descobrirá os erros que seriam despercebidos caso passasse a produção textual a limpo imediatamente.
Tanto a aprendizagem da leitura como da escrita só terá um bom desenvolvimento, se o professor tiver o hábito de ler e de escrever, pois só assim ele será mais tolerante tanto na hora de avaliar as produções textuais dos alunos como também na hora de selecionar os textos para serem lidos.
Não dá para ensinar futebol sem nunca ter praticado o esporte.
Então?
Como ensinar a ler e escrever sem nunca ter lido ou redigido um texto na vida?
Uma outra dificuldade que envolve um bom desenvolvimento tanto da leitura como da escrita é a tão cobrada ortografia, ou seja, a escrita bonita.
E é por valorizar esta escrita bonita que muitos professores pecam ao avaliar os textos dos alunos, causando assim um grande desestímulo por parte dos mesmos e retardando o aprendizado não só da ortografia como também da escrita e da leitura.“Quando se considera em primeiro lugar os erros ortográficos ao avaliar o texto, sem antes dar atenção suficiente ao seu conjunto, provoca-se uma deterioração na relação do aluno com o ato de escrever revelando uma concepção limitada da escrita.
Nesse sentido, as excessivas correções ortográficas acabam levando o aluno a empobrecer seus escritos para evitar correr o risco de cometer muitos erros que serão sancionados pelo professor”. ( Condemarín e Medina, 2005, p. 67)A ortografia é importante dentro de um texto, mas não se deve fazer drama em cima dos erros ortográficos e sim a partir deles tentar ajudar os alunos.
São muitos os procedimentos para orientar os discentes para não escreverem errado.
Na hora do planejamento não colocar no plano mensal a ortografia exigida pelo plano anual para aquele dado mês, mas observar , através das produções textuais dos alunos os erros ortográficos mais repetidos. Assim, trabalhar-se-á as deficiências ortográficas mais necessárias a cada turma.
Além de se trabalhar a ortografia correta sem seguir um plano, apenas por exigência para aquela série, sem saber qual a real necessidade do aluno, pode-se chamar, dependendo do erro cada discente para uma conversa amigável, sem fazer escândalo com os erros, ou então comentá-los na lousa, sem dizer de quem são os erros, pois o objetivo deste método é evitar que outros cometam os mesmos erros e não constranger o aluno.


Esses comentários devem ser feitos de forma bem natural para que os alunos aprendam ao invés de ficarem tensos ou de zombarem dos que erraram.
A leitura e a escrita são muito importantes na aprendizagem da ortografia, pois quanto mais o aluno ler e produz texto, mais ele entra em contato com as palavras e consequentemente aprende, sem a imposição ou os recadinhos, muitas vezes negativos, de certos professores tradicionalistas que acabam desmotivando o aluno não só a deixar de produzir os textos por acharem que não sabem escrever, como também de perderem a oportunidade de aprender a escrever corretamente.


Como forma de ensinar ortografia aos alunos é transformar estas aulas em algo prazeroso.
Uma dica é fazer dinâmica em sala de aula ou fora dela.
Vejamos um exemplo de uma ótima aula de ortografia em que os alunos aprendem sem muita cobrança. Este método pode ser aplicado tanto para os alunos do Ensino Fundamental como para o Ensino Médio.


Primeiro passo: Dividir os alunos em grupos.


Segundo passo: Colocar várias palavras de um mesmo trabalho ortográfico ( como por exemplo: s, ss, sc, xc. ç ) e dividir em colunas na quantidade de grupos.


Terceiro passo: Pedir para um aluno de cada grupo escolhido, depois de uma observação em grupo, ir até o quadro e preencher os espaços em branco referente ao seu grupo.


Quarto passo: Após o término da atividade, os próprios alunos observarão se as palavras estão escritas corretamente ou erradas. Caso estejam erradas justificar o erro e consertar.


Esta atividade proporciona um debate em sala de aula e o aluno aprende de forma mais agradável e menos enfadonha, diminuindo as dificuldades na aprendizagem ortográfica.Conclusão Para Condemarín e Medina (2005, p. 67) “A ortografia não constitui um aspecto separado do conjunto do texto; ao contrário, para que os alunos avancem em suas competências ortográficas, é necessário que considerem o conjunto do que escreverem, dado que muitas vezes os erros ortográficos decorrem de uma má percepção dos aspectos pragmáticos, semânticos e morfossintáticos do texto...”


Resumindo, sem contrariar as idéias do escritor escolhido, a ortografia, a leitura e a escrita estão interligados, ou seja, para aprender a ler, precisa-se da ortografia, para aprender a escrever, precisa-se da leitura e da ortografia e assim sucessivamente.


As dificuldades na leitura, na escrita ou na ortografia só irão melhorar quando boa parte dos professores de Língua Portuguesa, preocuparem-se com o verdadeiro aprendizado do aluno e deixarem um pouco de lado os planos que não são compatíveis aos níveis dos discentes.


Referências Bibliográficas

CONDEMARÍN, Mabel; MEDINA, Alejandra. Avaliação Autêntica:
um meio para melhorar as competências em linguagem e comunicação.
Tradução de Fátima Murad.
Porto Alegre: Artmed, 2005GERALDI, João Vanderley (org).
O texto na sala de aula. 3ª ed. São Paulo. Ática, 1999.
KAUFMAN, Ana Maria Rodriguez. Escola, Leitura e Produção de Textos.
Tradução Inajara Rodrigues.
Porto Alegre: Artes Médicas, 1995MOREIRA, Nadja da Costa Ribeiro.
Orientações para o ensino da leitura.
Revista de letras, nº 07 (1/2) UFCSMITH, Frank.
Compreendendo a leitura: uma análise psicolingüística da leitura e do aprender a ler.
4ª ed. Tradução de Daise Batista.
Alegre: Artmed, 2003Luciana Cláudia de Castro Olímpio é professora da rede estadual de ensino do Estado do Ceará.
Graduada e pós-graduada em Letras pela Universidade Estadual Vale do Acaraú(UVA), em Sobral, sob a orientação do professor Vicente Martins.

Joao Beauclair
Publicado em 12/02/2009 às 11h07